Psicanálise e CBD para lidar com a ansiedade

Psicanálise e CBD para lidar com a ansiedade | Amae Institute - Foto Canva
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Os ansiolíticos são uma categoria de medicamentos psiquiátricos muito difundidas e prescritas no mundo todo. Fazem parte das benzodiazepinas que inicialmente eram divulgadas como substâncias leves e que não causavam dependência, não foi preciso muito tempo para provar o contrário, mas a despeito disso essas drogas continuaram a ser prescritas para uso prolongado provocando o agravamento dos quadros iniciais e efeitos de abstinência terríveis para quem pretende deixar de usá-las. No entanto, temos visto nos últimos tempos estudos sobre o uso medicinal da canabis ou ainda utilizando o canabidiol isolado para lidar com os efeitos de abstinência. Se a canabis pode ajudar nos efeitos de abstinência, por outro lado a psicanálise, através da cura pela fala, pode ser o caminho do sujeito para lidar com seus sintomas psíquicos.

Já faz décadas que a psicanálise passa por um processo intencional de descrédito. Diante de um mundo que se volta intensivamente para o corpo, o inconsciente perdeu lugar para a busca desenfreada da pílula mágica. Infelizmente, para aqueles que se aventuram apenas no mundo medicamentoso para dar conta de seu sofrimento psíquico (depressão, ansiedade, bipolaridade, delírios, alucinações, entre tantos outros) acabam descobrindo da pior forma que a medicação psiquiátrica por si só não resolverá seu problema de saúde e que muito rapidamente elas deixam de fazer o efeito inicial. Diante disso, a postura dos médicos geralmente é a de elevação das doses ou mudança de remédios, que novamente deixam de fazer efeitos rapidamente.

Por outro lado, a ideia de resolver seu sofrimento sem relembrar de momentos traumáticos de sua vida, sem repensar em tudo o que se passou até o momento e qual a responsabilidade que cada um carrega, parece algo muito confortável. O processo analítico que propõe a psicanálise é uma viagem complexa de cada sujeito estabelecendo conexões em sua vida e falando daquilo que muitas vezes nunca falou com ninguém. Por mais banal que possa parecer nos dias de hoje, a psicanálise é um processo de cura pela fala que funciona.

De cada pessoa que chega ao consultório em sua primeira sessão ouvimos histórias sufocadas de sofrimento, histórias que foram guardadas por culpa, vergonha ou medo. Em muitos casos, são sujeitos que viveram até aquele momento com a sensação de que são medíocres e que não merecem uma vida boa. Para isso não há química que cure, somente a fala.

Podemos fazer uso das medicações como uma ajuda secundária, se a pessoa está se sentido muito ansiosa a ponto de não conseguir sair de casa ou realizar tarefas do dia-a-dia, talvez a medicação possa ajudar, desde que prescrita por um período breve e como auxiliar no tratamento. A medicação psiquiátrica nunca teve o poder de curar, ela apenas alivia sintomas em um período breve para que o tratamento possa acontecer.

No caso dos ansiolíticos, nossos últimos dois textos falaram sobre a questão da dependência e o uso desses medicamentos pelos brasileiros. Os efeitos a longo prazo podem ser muito ruins e também podem incluir danos cerebrais irreversíveis.

Para as pessoas que estão em uso desses medicamentos e continuam sofrendo, mas que manifestam a intenção de parar, podemos dizer que o caminho não será fácil, mas hoje poderão contar com a ajuda da medicina canábica, somada à psicanálise.

Como já falamos a psicanálise se propõem à cura pela fala, então, para os seus sintomas iniciais de sofrimento psíquico a psicanálise entende que é a manifestação inconsciente de questões que ficaram sufocadas, na grande parte dos casos.

Para os efeitos da abstinência dos ansiolíticos algumas pessoas têm se beneficiado do uso medicinal da canabis, e é preciso lembrar que a canabis tem sido usada desde a década de 1980, pelo menos, nas estratégias de redução de danos do uso abusivo de drogas. Para aqueles que estão dependentes dos ansiolíticos sabemos que os efeitos são equivalentes aos das drogas mais viciantes e que deveríamos contar com uma política pública que acompanhasse esses pacientes em lugares específicos, como são os Centros de Atenção Psicossociais de Álcool e outras drogas (CAPS AD) no Brasil.

Em um estudo
[1]
realizado em 2019 no Canadá avaliou a interrupção do uso de benzodiazepínicos com a administração de canabis medicinal com 146 pacientes, 45,2% conseguiram deixar o ansiolítico com sucesso, os outros participantes da pesquisa conseguiram reduzir o uso e tiveram melhora significativa da qualidade de vida diante do quadro clínico que se queixavam, com relatos de diminuição do sofrimento diário.

Entre os efeitos da canabis medicinal estão a diminuição da ansiedade, melhora do sono, melhora do apetite, regularização do sistema imunológico, diminuição da dor crônica, anticonvulsivo, entre outros.

Mas a canabis também pode trazer efeitos colaterais, por isso é importante que seu uso seja acompanhado por um profissional e não apenas baseada na propaganda da indústria do bem-estar, mais preocupada com as vendas que com a saúde das pessoas.

[1]
“Reduction of Benzodiazepine Use in Patients Prescribed Medical Cannabis” https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6757237/

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