Sobre nós

Amae é um conceito central na cultura japonesa, desenvolvido pelo psicanalista Takeo Doi, que descreve o desejo profundo de ser acolhido, protegido e de depender afetivamente do outro sem medo de rejeição. É uma forma de vínculo que se funda na confiança de que o outro sustentará nossa fragilidade e fundamental no início da vida.

Na linguagem japonesa, “amae” vem do verbo “amaeru”, que pode ser traduzido como “entregar-se ao cuidado do outro”, “ser mimado” ou mesmo “buscar refúgio no afeto”. Mas mais do que uma simples atitude infantil, o amae revela uma estrutura relacional fundamental e persistente ao longo da vida.

No Amae Institute, partimos desse fio delicado que entrelaça o sujeito ao desejo do outro — e vice-versa — para pensar o sofrimento psíquico. A escuta psicanalítica reconhece esse laço invisível, esse apelo silencioso que cada um carrega, mesmo nas formas mais sintomáticas de existir.

甘えとは、他者に守られたい、甘えたいという欲望であり、日本文化に深く根ざしている関係のかたちです。

 

Carine Sayuri Goto

Psicanalista, graduada e mestre em Psicologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), especialista pela Unicamp, membro da Internacional dos Fóruns do Campo Lacaniano, da Associação Japonesa de Psiquiatria Transcultural, da Associação de pesquisadores brasileiro no Japão (ABrJ). No Brasil desenvolveu sua carreira no campo da Saúde Mental, trabalhando em Centros de Atenção Psicossociais (CAPS), inclusive como supervisora clínico-institucional, em Unidade Básica de Saúde (UBS), em processo de desinstitucionalização de hospitais psiquiátricos, em Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e na clínica psicanalítica. Mora desde 2019 no Japão, onde vem desenvolvendo seu trabalho na clínica psicanalítica.

Thiago Marques Leão, Ph.D

Mestre e Doutor pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, é pesquisador do Grupo de Pesquisa Teoria Social, Mudanças Contemporâneas e Saúde (CNPq-USP). Em seu doutorado, pesquisou sobre formação histórica e teórica, e análise contemporânea das políticas públicas de saúde mental no Brasil. Realizou estágio de pós-doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP, com a pesquisa “Mudanças Sociais, Individualização e o Sofrimento Psíquico entre Estudantes Universitários” e ministrou a disciplina de pós-graduação (mestrado e doutorado) “Mudanças Sociais, Saúde Mental e Sofrimento Psíquico na Universidade - PSP 5516” (2018 - 2024) do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Saúde Pública da USP. Atualmente no Japão, está associado à Associação de Pesquisadores Brasileiros no Japão (ABrJ) e à Associação Japonesa de Psiquiatria Transcultural. Vem desenvolvendo pesquisas sobre Saúde Mental e Educação, Individualização Social, Populações Migrantes e Subjetividade Contemporânea. Além de artigos científicos, palestras e entrevistas, é autor do livro “Loucura, Psiquiatria e Sociedade: o campo da saúde mental coletiva e o processo de individualização no Brasil” (Editora Hucitec, 2022).